Ambulantes do Parque Dois Irmãos lutam para sobreviver durante a pandemia

A visita ao Parque Dois Irmãos, uma das programações turísticas tradicionais no Recife, está suspensa desde a chegada da pandemia da Covid-19 em Pernambuco. O espaço, localizado na Zona Norte da capital pernambucana, recebe centenas de pessoas anualmente e oferece atividades em contato com a natureza ainda não reabriu, e nem há previsão de retomada do funcionamento. No entorno da área, a maioria das barracas estão cobertas por lonas e as lojas, fechadas. A frustração é coletiva. Entre pais, crianças e comerciantes locais que não recebem clientes desde o mês de março.

Para a comerciante Maria Valderi, 42 anos, a suspensão das atividades do Parque e zoológico por tempo indeterminado é desesperadora. Apesar da autorização que possui para abertura do restaurante e da loja de artesanato, Valderi reclama da falta de clientes no local, ocasionada pela pandemia do novo coronavírus e  fechamento do Parque.

“Muitos locais já retomaram as atividades como os shoppings, bares e restaurantes, mas os ambulantes estão sendo prejudicados. Não temos notícias sobre a reabertura do zoológico e eu não entendo, já que outros parques e as praias foram reabertas também. Assim dificulta bastante porque nós vivemos disso. Muitos ambulantes aqui tinham sessenta, setenta anos e perderam tudo, viviam disso. A situação só não foi pior porque recebemos o auxílio e doações de cestas básicas”, desabafa.

A distância entre as casas dos comerciantes e local de trabalho impediu que alguns ambulantes relocassem suas barracas, que foram degradadas por causa da exposição ao sol e chuva.

“A retomada vai ser muito difícil porque eu perdi a minha máquina de fazer pastel e algodão doce. Outros colegas aqui estão com as barracas enferrujadas. Não temos dinheiro para fazer grandes investimentos, mas só o fato de retomar as atividades já é uma grande ajuda”, conta a ambulante.

O Parque Dois Irmãos possui 14 hectares de área e abriga 466 animais em cativeiro, entre peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, segundo dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas).

Orlando Severino dos Santos, 41, mora no bairro de Areias, na Zona Oeste, e se dirigiu com as filhas para um passeio no zoológico, quando foi surpreendido pela notícia da suspensão das atividades do Parque.

“Eu não sabia que o zoológico estava fechado, trouxe as minhas filhas para elas se distraírem um pouco. A minha filha mais nova tem cinco anos e a outra tem sete, fica difícil de ocupar elas em casa. Já viemos aqui outras vezes, mas eu nunca vi o lugar completamente vazio. Eu espero que tudo isso passe para que nós possamos curtir novamente. É o desejo de todos nós”, afirmou.

Reabertura

Em nota, a Semas informou que técnicos da pasta e do Parque Estadual de Dois Irmãos estudam um planejamento estratégico para reabertura do equipamento. De acordo com a Secretaria, o estudo levanta as medidas necessárias a serem adotadas do ponto de vista administrativo e estrutural, assim como a adoção de medidas de biossegurança que evitem a transmissão da Covid-19 dentro da unidade entre os visitantes, além do contágio entre humanos e animais das espécies suscetíveis à doença.

A pasta também comunicou que trabalho envolve o diálogo com entidades do setor, como a Azab (Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil), e da área de saúde, e que a iniciativa seguirá as definições posta pelo Plano de Convivência com o novo coronavírus do governo de Pernambuco. No momento ainda não há data prevista para a reabertura do Parque de Dois Irmãos.

Diário de Pernambuco

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