Está esquecendo das coisas? A pandemia pode afetar sua memória

Se você está com dificuldades para lembrar das coisas, saiba que isso pode ser uma consequência do novo coronavírus. Não é mais um sintoma recém-descoberto pelos cientistas, mas uma sensação relativamente comum às pessoas que estão em isolamento social.

Durante a pandemia, aumentaram os relatos de sofrimento por depressão, ansiedade e estresse – estados que influenciam na capacidade das pessoas de memorizar as coisas. O cenário da pandemia inclui a tensão causada pelo isolamento social, o medo de contaminação pelo novo coronavírus, as frustrações com as restrições diárias e as incertezas relacionadas ao futuro.

“São situações de nervosismo que acarretam em transtornos do humor e impactam no funcionamento da memória”, conta o neurologista e coordenador do Núcleo da Memória da Unidade Campo Belo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Diogo Haddad.

O médico acrescenta que, em pessoas jovens, esses desequilíbrios podem comprometer o aprendizado, a retenção de novas informações e a realização de tarefas diárias. “A pessoa fica mais desatenta, com sua capacidade de concentração comprometida”, explica.

Em situações ou períodos constantes de estresse, o sistema nervoso simpático libera a adrenalina, preparando o organismo para reagir e suportar momentos de medo, perigo, esforço psíquico e físico. Enquanto o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), libera o cortisol, o hormônio do estresse.

Esses dois processos acabam influenciado no hipocampo, região responsável pela memória, que pode perder sua plasticidade, principalmente, em casos de um isolamento muito severo”, diz Haddad.

O problema pode ser sanado com hábitos saudáveis como a regulação do sono, boa alimentação, prática de exercícios físicos e de atividades prazerosas para ajudar a aliviar a tensão e estimular a cognição.

O neurologista do Hospital Brasília, Carlos Uribe, explica que quando os lapsos de memória são pontuais, momentâneos, não é preciso se preocupar: a tendência é que, com o tempo, as coisas se normalizem. “Se estou mais esquecido, mas ninguém reclama e resolvo as tarefas do dia a dia, não é um problema. Mas se isso começa a impactar na rotina, é preciso entender o que está acontecendo”, afirma.

No caso de pessoas idosas, no entanto, a recomendação é procurar atendimento. “Na epidemia, também estamos vendo uma piora de pessoas mais velhas com diagnóstico de Alzheimer e outros tipos de demências por causa da mudança na rotina e das restrições, que pioram a ação cognitiva. Eles ficam agitados e não dormem direito”, conta o neurologista do Hospital Brasília.

 

 

 

Metrópoles

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